Skip navigation

Category Archives: propaganda

Como seria a TV Google se ela existisse?

Foi pensando nisso que o Google traçou uma estratégia diferente dos produtos lançados até hoje. Ao invés de manter a sua típica postura reservada e discreta, o Google decidiu lançar o anúncio da TV Google antes mesmo que ela existisse. Se assistirmos o comercial, teremos a noção exata da lógica desta TV futurística proposta pelo Google.

Mas porque fazer um alarde de algo tão inovador antes mesmo que ele exista?

Acredito que o Google já não se sinta mais incomodado com os rivais e que está bem seguro que se uma TV dessa possa se tornar realidade, ela será por meio do Google. Bem arrogante, não? Além dessa suposição, podemos pensar que o Google já lançou o comercial para marcar território e ser percebido como pioneiro em algo que ainda não existe. No mercado de novos softwares essa estratégia é reconhecida como o Vaporware – é o software que ainda será lançado (ou talvez nunca será), mas o desenvolvedor já anuncia publicamente que ele fará esse lançamento.

É claro que o Google também já deve ter se protegido contra a concorrência, fechando contrato com vários canais e fabricantes de TV.

E cai pra nós, é bem difícil imaginar uma TV como essa, senão da marca Google. =)

Reconhecimento da Internet pela TV

O reconhecimento do “Deus da Internet” pelo meio de comunicação mais utilizado no mundo, a TV, foi meticulosamente calculado. Primeiro porque no comercial o narrador descreve de maneira tendenciosa a TV e a Internet nos dias de hoje, apesar de algumas coisas serem verdade. No vídeo, o narrador coloca a Internet como o cérebro da coisa, que irá prover o conteúdo, e a TV apenas como uma grande tela de entretenimento.

Mesmo que tardio e feito dessa forma, o próprio Google percebeu que não dá pra ficar de fora desse meio de comunicação e mostrou para nós como uma empresa se evolui através da inovação de algo que já existe.

Agora é aguardar como isso será recebido pelos consumidores. Será que teremos uma grande mudança na lógica da Televisão? Como os canais serão cobrados, se podemos ter “de graça” o acesso a informação através dos sites? E as propagandas, como elas se incluirão nessa nova lógica?

Anúncios

Esse comercial da NOKIA inverte o foco no produto, para a associação dele a momentos importantes da sua vida. Criado em 2005, ele faz inveja a tantos outros contemporâneos em relação à sua criatividade e execução.
Infelizmente não sei a agência que criou, mas a música de fundo se chama Underneath your Clothes, da Shakira.

Entrevista Oliviero Toscani from Bruno Lage on Vimeo.

O famoso fotógrafo das campanhas publicitárias da Benetton, Oliviero Toscani, foi sabatinado nesta entrevista do programa Roda Viva por publicitários renomados como o presidente da DPZ, o diretor da Folha de São Paulo, jornalistas da Exame, entre outros.

O ano é 1995, nesta época o Brasil estava vivendo a euforia de consumo proporcionada pelo plano real que se equiparava ao dólar. Campanhas publicitárias pipocavam mais do que nunca nas telas da tv, nas páginas das revistas e jornais, nos spots das rádios e nos ambientes externos através de outdoors.

Este entrevista foi quase um Tribunal da Inquisição, onde o Oliviero Toscani assumiu o papel de herege por causar uma crise no mundo publicitário tradicional e fechado daquela época, que só tinha um objetivo: vender, vender e vender, custe o que custar. Na entrevista fica claro a falta de preparo dos entrevistadores, que se deixam envolver emocionalmente diante de um Toscani seguro de si e bem articulado.

Um dos aspectos que mais evidenciam essa fragilidade foi quando os “inquisitores” tentaram insistentemente desviar o assunto para saber qual era a verdadeira profissão do Olivero Toscani. Muito humilde, mas sempre seguro, ele responde que é apenas um fotógrafo e que considera sua profissão uma ação social para o mundo quando ela bate de frente com publicitários estúpidos.

Não compreender o papel contestador da lógica da sociedade consumista atual que a fotografia de Toscani conseguiu exprimir, é negar que estando certo ou errado, vendendo mais ou menos, ele foi corajoso o bastante para enfrentar esses dogmas criados por profissionais da mídia cegos e egocêntricos, que não conseguem enxergar nada além do seu próprio umbigo. Ele conseguiu chamar a atenção do mundo inteiro com suas campanhas para Benetton.

benetton
benetton

Na frase em que ele afirma que a propaganda é “mentirosa”, ele não fala apenas no sentido formal da palavra mentir. Se levarmos ao pé da letra pode ser considerado um insulto a classe publicitária. Mas parece que ele vai um pouco além com esta provocação. O que ele tenta, a meu ver, é provocar e chamar a atenção desta classe para a forma como eles trabalham a comunicação, para a quebra de paradigmas. Essa flexibilidade da interpretação muda todo o sentido da frase.

Hoje, no Brasil, assistimos a um imenso número de propagandas veiculadas na TV que querem dizer tudo sem dizer nada. Alterar a natureza do produto com slogans como  “Unibanco, nem parece um banco.”, é tentar agregar um valor absurdo e inexistente ao produto, que acaba frustrando as expectativas do consumidor. Há também os comerciais voltados para as camadas mais pobres da população que não acrescentam nada e só ajudam a preservar a lógica do mundo espetacularizado da contemplação passiva, onde não há originalidade. Alguns exemplos destes comericias: a Hebe usando o leite de aveia davene, ou um exemplo mais atual com o Marcelo Adnet, emergente da MTV, que apóia a propaganda da Volkswagen.

Apesar do “modus operandi” da propaganda ter evoluído de 1995 pra cá com novas abordagens, novas técnicas de persuasão e novos aparatos técnicos, o avanço ainda é tímido e até hoje podemos ver agências de publicidade fazendo mais do mesmo, com medo de mudar. O compromisso das agências deveria ser com a cultura da sociedade que ela ajuda a construir com a lógica da sua comunicação. Essa “mentira” da propaganda a qual Toscani se refere, ainda persiste nos dias de hoje, porém com uma nova roupagem.

Só aconselho assistir esse vídeo quem realmente quer parar de transar sem camisinha. As imagens são fortes e causam traumas. rsrs…

Imaginem como seria o mundo se não existisse o sinal de PARE nas ruas. Agora imagine se um cliente pedisse para uma agência de publicidade, picareta, criá-lo de acordo com um briefing.